Diferenças entre as Universidades Americanas e Brasileiras

Hoje, enquanto estava preparando meu almoço, comecei a pensar sobre algumas diferenças que vejo claramente entre as universidades aqui nos EUA e as universidades no Brasil. Como sou aluna de doutorado aqui na Califórnia, é sobre esse quesito que posso falar com mais propriedade. Então vamos lá para o meu top 3 maiores diferenças entre as universidades americanas e brasileiras na pós graduação.


TOP 3

#1 - Group meetings

Aqui nas universidades americanas é comum que o professor pesquisador (como eles dizem aqui, o PI - principal investigator) faça reuniões com os integrantes do grupo de pesquisa semanalmente. Essas reuniões em grupo normalmente tratam de assuntos relacionados ao cotidiano do laboratório em questão, além de pequenas apresentações sobre os projetos de pesquisas de cada integrante em forma de rodízio. Assim, uma vez por semana, o grupo de pesquisa se reúne para conversar sobre assuntos relacionados ao laboratório e assistir a uma (ou mais) apresentação sobre o projeto de um dos integrantes.

Participei de diferentes grupos de pesquisas no Brasil durante a minha graduação e mestrado, e não conheci nenhum laboratório que fizesse esse tipo de reunião. Não sei como funciona isso em outros países, mas, aparentemente, isso seja algo cultural por aqui. Penso isso principalmente pelo fato de sentir que os americanos em geral são mais fechados e individualistas quando se trata da vida acadêmica. Os brasileiros no geral possuem um espírito cooperativo e de certo modo mais participativo. Um ajuda o outro e todos se ajudam. No final das contas, todos conhecem o projeto dos outros e o laboratório vive em certa harmonia sem a necessidade de reuniões semanais.

#2 - Homeworks

Sim, tarefas de casa para todos os lados durante as aulas na pós-graduação. Coisa que talvez nós, brasileiros, não fazíamos mais desde a época do ensino médio. Aqui, praticamente todas as disciplinas são carregas de tarefas de casa, artigos para ler/resumir, trabalhos e provas, tudo isso a ser feito em cursos trimestrais (no caso da UCI). Pouco tempo e muito trabalho.

Quando fiz meu mestrado na USP, fiz disciplinas em diferentes institutos e departamentos e em nenhum foi tão pesado quanto foi aqui. Se tinha prova, não tinha trabalho e vice-versa. Apenas uma das disciplinas (Modelagem Molecular na Faculdade de Ciências Farmacêuticas) se aproximou mais com o padrão americano com leituras e análises críticas de artigos.

#3 - Stipend

Money, money, money! Alunos de doutorado aqui são tratados como empregados. Isso mesmo! Somos considerados trabalhadores em uma categoria especial e devemos pagar impostos do dinheiro que recebemos. E isso implica que trabalhador não trabalha de graça, senão seria escravo. hahahaha
Desta forma, os alunos de doutorado aqui recebem salário pelo trabalho suado e pagam seus devidos impostos. Nada mais que merecido, não é? Além disso, o dinheiro normalmente vem do orientador, pois raramente os alunos conseguem bolsas de órgãos do governo (como NIH e NSF), ou então do próprio departamento. Assim, o professor só "contrata" se tiver dinheiro.

Brasil, ah, Brasil. Dinheiro só se o aluno conseguir uma bolsa do governo. A grande maioria "trabalha" de graça e se ousar fazer bicos, corre o risco do orientador ficar de nariz torcido (não querendo generalizar, claro).

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Bom, essas foram as três principais diferenças que encontrei no programa de doutorado daqui, quando comparado com os do Brasil. Lembrando que isso foi feito com base na minha experiência. Claro que cada universidade pode ser diferente, além disso, muitas coisas podem ter mudado no Brasil nesse meio tempo.

Deixem aqui nos comentários o que vocês acham sobre o assunto. Se você faz/fez doutorado em algum outro país, comenta aqui a sua experiência também.

Cheers!


Camila


Foto: Google Imagens
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